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As Tasquinhas de Rio Maior precisam de um Rebranding

Nesta crónica vou assumir que me posso dirigir ao leitor como conterrâneo porque duvido que alguém do Montijo tenha interesse em ler uma coisa sobre as tasquinhas de Rio Maior. E sabendo que o meu auditório hoje vai ser na sua totalidade riomaiorenses, podia aproveitar esta oportunidade para me queixar do trânsito absolutamente absurdo ali da rotunda da Bellaria que faz inveja ao trânsito de Barcelona.

Mas não o vou fazer, não me vou queixar de muitas vezes demorar 7 minutos para percorrer um troço de 50 metros, não me vou queixar da incompetência de quem desenhou as estradas nesta cidade que por alguma razão têm todas de ir desaguar à porcaria daquela rotunda. E acima de tudo, não me vou queixar dos grunhos que não põem piscas nas rotundas e que me fazem perder uns confortáveis 2 segundos de vida À ESPERA PARA SABER EM QUE SAÍDA VÃO SAIR. Podia-me queixar disso tudo, mas como sou um exemplo de boa ética e moral, não o vou fazer.

Repararam no que fiz aqui? Critiquei aspetos da nossa cidade que são comuns a todos os cidadãos para conseguir desta forma tipo sangue-suga ganhar o seu afeto para depois prosseguir a criticar as Tasquinhas sem que ninguém me bata na rua por criticar as tasquinhas. 

Se ainda houvesse dúvidas da minha saloiice (primeira vez que vêm esta palavra escrita não é? Também eu, temos tanto em comum, awwww #twins) aqui ficam com a certeza da existência dela. Já aconteceram os Óscares, e eu? Nem uma palavra. O Festival da Canção, e eu? Nem uma palavra. Mas chegam as Tasquinhas e aqui o menino faz logo uma edição especial sobre a ocasião. 

Há muitos anos que a imagem de marca das tasquinhas é uma senhora cozinheira, gordinha, a puxar para velhota. 

Esta senhora, é já um ícone do ribatejo que representa boa comida, convívio , pinga e bandas bizarras que gostam de me encostar uma tuba ao ouvido enquanto tento comer a minha grelhada mista fria e beber a minha sangria aguada de marca branca do Continente

E antes de começar a descascar nesta humilde e inocente senhora como se fosse uma quarta-feira em casa do meu pai, permitam-me tecer um comentário positivo. 

Esta avantajada senhora é a cara destas festividades há já longos longos anos, e quer-me parecer que isto foi um avanço para a época. Afinal de contas, é um papel importante ser o rosto das nossas Tasquinhas, e isso é bonito. Mas depois lembrei-me que ela está vestida de cozinheira e muito provavelmente foi escolhida porque, na altura, mulheres e cozinha meio que andavam de mãos dadas. 

Oh, antes de virem para cima de mim, estou só a relatar uma realidade, se querem ralhar com alguém ralham com os vossos avós, eles é que as puseram lá. 

Saltando para os dias de hoje, esta cozinheira parece-me uma imagem antiquada e perpetuadora de estereótipos incorretos. 

Sendo assim, proponho um rebranding à senhora das Tasquinhas. 

Se fosse por mim, o cartaz das Tasquinhas 2023 era com uma senhora de 32 anos, vestida com uma bata branca daquelas que o Ljubomir usa, mangas arregaçadas até aos cotovelos, tatuagens minimalistas nos braços de uma colher de pau e uma faca. Cabelo pelos ombros e com um lado da cabeça rapado. Braços cruzados, postura imponente. E se queremos mesmo arriscar, ainda lhe punha um daqueles piercings no septo do nariz. Chamava-se Vânia e era filha de pais emigrantes. A disposição do cartaz centrada nela como vocalista de uma banda meio alternativa onde os instrumentos eram utensílios de cozinha, porque pronto, tasquinhas.

Fica aqui a minha contribuição para as Tasquinhas, a malta responsável se quiser agarra, mais não posso fazer. 

Se me virem por lá, paguem uma pinga, a minha foto deve estar algures nesta página, a única diferença é que na vida real não estou a preto e branco.

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Bruno Rolo
O meu nome é Bruno Rolo, sou licenciado em Marketing Turístico e a minha principal ocupação é trabalhar como responsável de Marketing e Comunicação. Gosto de comédia e tento sempre incorporá-la na minha escrita, ainda que na maioria das vezes fique pelo tentar.

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