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Eleições Europeias

Eleições Europeias – 2024

Eleições Europeias/desafios

João Teodoro Miguel

Em Portugal, depois das eleições legislativas o panorama político parlamentar ficou muito frágil, a coligação liderada por Luís Montenegro, agora governo, ficou sem as condições necessárias para poder executar na íntegra o seu programa de governo. Assim, o que temos oportunidade de ver, é a aprovação de algumas medidas a serem impostas pelo parlamento sem o voto favorável do executivo. Isto revela bem a fragilidade do governo de Portugal.

Na verdade, o atual parlamento é composto, agora, por três blocos políticos de posições estratégicas instáveis, o grupo parlamentar que sustenta o governo engloba dois deputados do CDS, se não fosse essa circunstância, o líder do PSD não seria provavelmente indigitado como primeiro-ministro.

Neste governo, podemos dizer que nem sequer uma maioria relativa tem. Estando assim, em minoria, traduzindo-se esta situação numa insuficiente legitimidade para governar com o seu programa. Se não vejamos no primeiro ato parlamentar, nem sequer conseguiram eleger o Presidente da Assembleia da República, não fosse a disponibilidade do PS votar favoravelmente para acabar com aquele embaraço político.

No meu entender, parece-me que estas eleições europeias, poderão ser mais determinantes para os partidos alavancarem internamente algumas decisões do que pode vir a ser um novo quadro político português, num futuro muito próximo em Portugal. Vamos esperar para ver.

Quanto aos programas eleitorais europeus, apresentados pelos dois maiores partidos portugueses. A convergência, a linguagem, o posicionamento em relação à União Europeia é muito similar e muito pouco esclarecedor para a decisão dos cidadãos poderem votar confiantes do seu voto. Aliás, as escolhas partidárias na maioria dos candidatos a eurodeputados que tenham conhecimentos das políticas europeias, são bastante frágeis, no meu modesto ponto de vista, sendo assim pouco elucidativas em relação à genuinidade da propensão europeia.

Adivinha-se um novo parlamento europeu mais virado para criar dificuldades, se o crescimento da extrema-direita vier a acontecer, do que um parlamento virado para o cimentar de uma verdadeira cidadania europeia. A Europa a 27, precisa de se reconstruir, dos 705 eurodeputados, 21 são portugueses. O que é que podemos esperar de todos eles?  As dúvidas são muitas, vivemos momentos tensos e de incerteza, a infindável guerra Ucrânia-Rússia, que vai definir a posição de interesses geopolíticos de algumas potências mundiais. Acresce ainda que o lendário motor franco-alemão, que tem sido o verdadeiro impulsionador da Europa parece dar sinais de fraqueza ao comando desta Europa a 27.

Quem vai estar nos cargos de topo da União Europeia? A defesa militar da Europa, como vai ser, como vão resolver o projeto militar europeu? A pressão migratória na Europa, com tendência de crescimento por causa dos conflitos regionais e também por causas naturais como as alterações climáticas, que decisões vão ser tomadas? Vamos ter uma harmonização fiscal na União Europeia? Que europa social podemos vir a ter?

Não ouvimos uma discussão por parte dos nossos candidatos, sobre como a Europa pode vir a ganhar escala em vários setores. Como estruturar o fornecimento de bens públicos e garantir recursos sem acrescentar a dependência de países terceiros. A União Europeia tem de fazer um esforço e trabalhar para aumentar a sua competitividade económica e social face aos grandes potentados, a China e os EUA, nomeadamente em setores como a energia, a tecnologia e a defesa. Mas, para levar a bom porto a reestruturação e modernização comunitária, são necessários políticos competentes e verdadeiros líderes, trabalhadores qualificados com competências adequadas que permitam a esta Europa alcançar os objetivos pretendidos.

Vamos ter de esperar para ver o que vai dar o projeto europeu nos próximos anos. Até lá, vamos votar e acreditar que vale a pena o desafio de uma EUROPA COMUNITÁRIA.

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João Teodoro Miguel
João Teodoro Miguel, é natural de Rio Maior. Foi empresário até 2008. Teve uma breve passagem pela política como independente. É Mestre em Economia, Políticas e Culturas. Pós-graduado em Gestão e Organização Industrial. Diplomado no Programa Avançado de Economia e Gestão de Empresas de Serviços de Águas. Foi investigador na Universidade Lusófona. Atualmente é reformado.

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