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Devíamos deixar de ver notícias

Devíamos deixar de ver notícias?

E essa vida leitor, como vai? Espero que bem. Esta semana, contra todas as expectativas, não vou falar sobre nada de bizarro que a TVI tenha feito nos últimos tempos. Não por falta de tentativa deles, mas por estoicidade dos meus valores. Vou seguir forte e equilibrado e manter-me em pé na corda bamba que me segura acima da crítica fácil e do gozo óbvio. 

Do que falo então hoje? De notícias, como é óbvio, está no título. Agora, não venho afirmar nada, venho mais numa de me questionar aqui sobre umas coisinhas relativas a este tema. Particularmente, a sua pertinência na nossa vida. Sei que parece estranho colocar em causa o dever de estar a par das notícias, mas acompanhe-me. 

Esta inquietação surgiu porque comecei a reparar que ver certas notícias tinha um impacto negativo em mim. Mandavam-me abaixo. E quando digo “certas notícias” estou a ser simpático porque a grande grande grande maioria das notícias com palco mediático são negativas e puxam uma pessoa assim mais para baixo. É que, ou são catástrofes naturais, ou tragédias humanitárias, ou conflitos políticos, ou uma mãe que esfaqueou a filha, violou o cunhado, desmembrou a avó e esfolou a gata para fazer uma cabidela. Quando não é isto, é futebol. O que vai dar mais ou menos ao mesmo. 

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E isto tem um impacto negativo em nós, tem de ter! Eu acordar, ligar as notícias e estar a ver uma criança morta a ser retirada dos escombros de um edifício na Turquia enquanto ainda tenho remelas nos olhos, não deve ser propriamente a coisa mais saudável do mundo. 

E entenda-se que por notícias não me estou a referir só às que aparecem no formato tradicional de um telejornal ou jornal. Não não não. Refiro-me a todos os lugares onde encontramos notícias, mesmo os mais disfarçados. Refiro-me a podcasts, redes sociais (TODAS), rubricas de rádio, conversas de café, programas de entretenimento na televisão. Tudo isto vai-nos desgastando ao longo do dia.

Se calcularmos bem, grande parte do nosso tempo livre é passado a fazer alguma destas atividades. Não dá para fugir. “Então qual é a solução oh génio, é deixar de fazer isso tudo?” – Pergunta o leitor, e muito bem.

Epa… não sei. Como disse, venho numa de questionar. Não trago propriamente uma fórmula resolvente para esta equação. Só sei que não me tem feito muito bem estar atento às notícias. 

E se pensarmos bem, de um ponto de vista biológico, isto até faz algum sentido. O nosso cérebro é essencialmente o mesmo que era há 5.000 anos, e há 5.000 anos um gajo que vivesse na Europa ocidental não sabia o que é que se passava no Egito ou no Japão. Aliás, um gajo que vivesse, no equivalente à época, em Lisboa, não sabia o que é que se passava na Margem Sul. 

Saltamos para os dias de hoje e claro que a nossa cabecinha não está bem equipada para lidar com a desgraça alheia de 8 mil milhões de pessoas. Nem com a minha consigo. 

E presumo que neste momento alguma da plateia que me lê esteja a pensar que sou um pussy por ficar afetadinho com notícias e a desejar em voz alta que eu fosse para a tropa. Atenção, não se enganam totalmente, eu sou efetivamente um pussy, mas sei que não sou o único. E é para essas pessoas que falo, para as que não são impermeáveis à desgraça alheia. Para os restantes, deixo apenas a minha inveja. 

Se calhar estou a ser muito ignorante, não seria novidade, mas até que ponto é que ser um cidadão informado compensa viver com um estado de espírito pesado e pouco esperançoso no ser humano? Talvez seja mesmo melhor viver na ignorância. Não sei, digam-me vocês. *punchline final*

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Bruno Rolo
O meu nome é Bruno Rolo, sou licenciado em Marketing Turístico e a minha principal ocupação é trabalhar como responsável de Marketing e Comunicação. Gosto de comédia e tento sempre incorporá-la na minha escrita, ainda que na maioria das vezes fique pelo tentar.

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