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A palavra chill está a destruir os nossos cérebros, quiçá as nossas vidas

A palavra chill está a destruir os nossos cérebros, quiçá as nossas vidas!!!

AVISO! Nesta crónica chocante e reveladora, o autor Bruno Rolo vai fazer uma metáfora onde compara a língua portuguesa a uma bela de uma cabidela de pato. Não pode perder este uso totalmente absurdo de figuras de estilo portuguesas! E ainda assim, por mais impossível que possa parecer, não vai ser a metáfora mais descabida desta crónica. 

Ora viva meu querido leitor acabadinho de entrar em 2023! Diga-me lá, entrou com o pé direito neste ano ou tem bom senso e acha esta expressão absolutamente ridícula uma vez que o lado das pernas com que se entra em algo não é de forma nenhuma uma maneira fidedigna de premonizar se o futuro vai correr bem ou mal e com jeitinho ainda é profundamente ofensiva para as pessoas esquerdinas? 

Entrei a pé juntos, peço desculpa. 

Se o leitor bem se recorda, na última crónica aqui o menino terminou com o chamado cliffhanger, ou, para quem é do Montijo, o equivalente literário à expressão “não perca o próximo episódio, porque nós também não” que Dragon Ball popularizou. 

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Utilizei grande parte do património dessa mesma crónica para introduzir um tema importantíssimo que não podia passar por debaixo da esfera mediática, a palavra “chill”. E continuo a subscrever esse ênfase. 

Ora, numa semana onde a maior parte do mundo está a falar sobre a passagem de ano, a transferência do Cristiano Ronaldo e o filme do Marco Paulo, eu trago a questão realmente fraturante para uma sociedade que deseja continuar a progredir e a evoluir. 

E essa questão é, como já se viu no título, a palavra chill. 

Bom, para mim, a palavra chill representa o prego final no caixão que é a preguiça intelectual da minha geração. Por outras palavras, é uma palavra burra, que os burros dizem, e está-nos a deixar mais burros dizê-la. 

Ao início, estava tudo bem, chill era só uma palavra para definir temperaturas baixas na língua inglesa. Contudo, à semelhança do bebé Hitler, ao início parece inofensivo e fofinho, mas com o passar dos anos vai-se tornando diabólico. 

Tal é o caso que a palavra chill não só foi ganhando significados diferentes, como também formas gramaticais diferentes. 

Permita-me explicar melhor, há uns anos, a palavra chill só seria expelida pela boca de uma pessoa caso estivesse um pedaço mais de frio. Atualmente, chill é usado como verbo, como adjetivo e até como estado de espírito. 

Hoje em dia, uma pessoa já não está a relaxar, está a chillar. Se por acaso estiver serena, não está calma ou tranquila, está chill. E se foi a um concerto e gostou, o concerto não foi bom, foi chill

E isto enerva o lado conservador que há em mim. Temos uma língua tão bonita, repleta de adjetivos interessantes e sinónimos úteis para dar um brilho especial ao nosso discurso e em vez de os utilizarmos vamos pedir emprestado a outra língua. AINDA POR CIMA À INGLESA?!

Isto é a mesma coisa que pedir a um vegetariano para fazer uma cabidela de pato. 

Posto isto, deixo aqui o apelo à minha geração: vamos! Vamos ser melhores. Vamos esforçar-nos para usar palavras diferentes quando nos referirmos a situações diferentes. Sei que é pedir muito, mas acredito que somos capazes. Posso confiar em vocês? Nice, let´s go! 

E no fim desta tese de mestrado o leitor diz – “ah e tal mas bruno, tas a dar mesmo bué importância a uma simples palavra, não achas que estás a exagerar um bocado?”. Ao que eu concordaria em absoluto se não tivesse uma crónica para escrever. Mas como tenho, vejo-me obrigado a discordar.

Veja outras crónicas de Bruno Rolo.

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Bruno Rolo
O meu nome é Bruno Rolo, sou licenciado em Marketing Turístico e a minha principal ocupação é trabalhar como responsável de Marketing e Comunicação. Gosto de comédia e tento sempre incorporá-la na minha escrita, ainda que na maioria das vezes fique pelo tentar.

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