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Masculinidade Tóxica

Masculinidade Tóxica

Quando isto acontece surgem figuras messiânicas como o maluquinho do Andrew Tate que convencem estes jovens que a cultura masculina está a ser atacada pelas mulheres e que os chamados “homens a sério” devem-se levantar e impor-se contra o sexo oposto

Olá olá, leitor querido! Como está a aguentar a chuvinha? Pediram-na agora aguentem-na. Até parece queixume mas se me perguntarem, aqui que ninguém nos ouve, até prefiro o incómodo da chuva ao incómodo do frio. E à medida que escrevo isto percebo que bati num novo fundo. Duas semanas seguidas a falar sobre o tempo. Mas quem é que eu sou, dois velhotes a olhar para obras? 

Peço desculpa, prometo não voltar a atingir níveis de lodo tão acentuados como este. 

Adiante, hoje venho-vos falar sobre um tema que me anda a preocupar há algum tempo. Tema este que tem andado a pairar na minha cabeça quase como um nevoeiro cerrado à espera que eu pegue nele e o organize até que deixe de ser um nevoeiro e passe a ser, vá, uma nuvem, no mínimo. 

É escusado estar com mistérios uma vez que o tema está no título. Masculinidade tóxica. 

E para aqueles que não têm Twitter, o que é a masculinidade tóxica? Ora bem, as internets definem a masculinidade tóxica como um conjunto de determinados comportamentos masculinos associados a danos para a sociedade e para os próprios homens. 

E aqui quero enfatizar a palavra “determinados” porque, lá está, são apenas determinados comportamentos. Mas eu tenho vindo a assistir a um achatamento da expressão, no sentido em que tudo o que é um comportamento mau masculino é automaticamente apelidado de masculinidade tóxica. 

E esta prática de pôr tudo no mesmo saco, no saco da masculinidade tóxica pode ser perigoso para jovens rapazes que de repente vêem todos os seus comportamentos escrutinados e etiquetados como uma coisa tóxica, quando muitos destes comportamentos são simplesmente comportamentos típicos da adolescência entre rapazes. E tenho como exemplo: dificuldades em estar quieto, acidentes mais violentos uns entre os outros porque tipicamente têm brincadeiras mais de risco, uma infantilidade mais prolongada do que as raparigas, dificuldades em mostrar e lidar com as emoções.

Tudo isto são traços típicos da juventude masculina. Tal como a juventude feminina tem os seus traços típicos. E escusado será dizer que isto não sou eu a desculpar e isto não os torna isentos de serem castigados. Se têm comportamentos errados devem ser melhorados. O problema é que quando se diz que tudo o que é negativo em relação ao homem é masculinidade tóxica cria-se uma imagem quase de pecado original em ser-se homem.

Preconceito este que a própria mulher sofreu durante praticamente toda a existência desde que a religião bate palmas. 

Perigos e consequências desta generalização?

Cria-se uma geração de jovens que ainda não têm as suas capacidades de discernimento totalmente desenvolvidas e que se vão sentir atacados e ameaçados. E quando isto acontece surgem figuras messiânicas como o maluquinho do Andrew Tate que convencem estes jovens que a cultura masculina está a ser atacada pelas mulheres e que os chamados “homens a sério” devem-se levantar e impor-se contra o sexo oposto para defenderem o seu estatuto. 

E o mais interessante aqui é que estes pokémons do ódio são resultado precisamente da crucificação exagerada da masculinidade tóxica que falei no início. 

Ou seja, as pessoas com a intenção de chamar a atenção para a masculinidade tóxica acabam por antagonizar o lado oposto (jovens rapazes), criando neles uma revolta e uma necessidade de pertença e aceitação tão agudas que criam espaço e mercado para que salvadores da masculinidade tradicional surjam e exerçam uma lavagem cerebral a jovens que só querem ser aceites. 

Fogo, vinha o leitor querido para aqui à espera de me ouvir a descascar na TVI como de costume e de repente está a ler uma TedTalk. Peço desculpa, mas hoje deu-me para isto. 

Termino a dizer que, se alguém, depois de ler isto, achou que eu estava a defender os menininhos que nunca passaram por nada na vida e a desvalorizar as raparigas e mulheres que sempre sofreram muito mais, então vocês são parte do problema.

Porque não se pode querer solucionar um problema quando não se pesa com a mesma imparcialidade os dois pratos da balança. Defender um, não é rebaixar o outro. 

Agora vamos lá todos saltar para cima de umas poças e descomprimir que a chuva veio para isto.

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Bruno Rolo
O meu nome é Bruno Rolo, sou licenciado em Marketing Turístico e a minha principal ocupação é trabalhar como responsável de Marketing e Comunicação. Gosto de comédia e tento sempre incorporá-la na minha escrita, ainda que na maioria das vezes fique pelo tentar.