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A morte

O Que é Demais é Moléstia – A Morte

O Negócio da Morte e a Comunicação Social Andam de Mãos Dadas

O que é demais é moléstia!

Este dito de sabedoria popular, significa que tudo o que se faz em demasia se torna doentio.

A morte de qualquer ser humano, do mais abjecto ao mais santo, merecem à luz da nossa cultura, enquadrada por uma moral judaico-cristã respeito e compaixão.

A Rainha do Reino Unido, teve o seu passamento, segundo as fontes oficiais da casa real inglesa, durante a tarde do passado dia 8 de Setembro, e a notícia foi comunicada “urbi et orbi” pelas 18h30 minutos.

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É perfeitamente compreensível que este acontecimento ocupe os noticiários, de todo o mundo, que interrompa toda a programação dos Média, adia as partidas de Futebol, as entrevistas com o 1º ministro, e mais um sem número de acontecimentos que se vêem relegados para fora do horário.

Mas não foi nada disso que aconteceu, ou melhor não foi isso que aconteceu. O que aconteceu foi uma verdadeira poluição noticiosa que ocupou a totalidade de todos os canais de televisão portugueses. Não faço ideia se isso aconteceu com a mesma ordem de grandeza noutros países, mas tenho sérias dúvidas que tenha sido assim.

A Romaria para as terras de Sua Majestade, a rainha, ou melhor agora Sua Majestade o Rei, não tardou com as figuras de prôa da nossa Comunicação Social a correrem para o apontamento de reportagem, todos os Josés Rodrigues do Santos, fizeram questão de se aprontar, e emproar, para também eles ficarem na história dos serviços noticiosos de acontecimentos importantes.

O tempo que cada serviço dedica a cada assunto, diz respeito aos seus responsáveis, mas alguém na posse do seu perfeito juízo, acredita que haverá audiências que suportem vinte horas de emissão sobre o mesmo assunto, com emissão de imagens em repetição constante, com comentadores especialistas em protocolo de funerais de monarcas, que são acontecimentos que tem uma frequência quase igual ao aparecimento do cometa Halley?

O que pretendem os responsáveis das estações de televisão com esta forma de tratar os espectadores? O que pensarão os investidores em publicidade sobre esta forma de actuar?

Será benéfico para a saúde mental dos espectadores esta forma de dar a notícia? Não serão os seus efeitos comparáveis aos prejuízos consensualmente aceites que se advogam para o abuso que a exposição aos écrans nos jogos para crianças, jovens e menos jovens?

E aceitamos isso, como consumidores alienados?

Sem levantar os demónios da censura, será necessária uma regulação para impedir o abuso da repetição em contínuo? Ou deveremos deixar esta decisão apenas sujeita ao livre-arbítrio dos consumidores que mal se dão conta da manipulação a que estão sujeitas? É que este argumento se fosse aplicado à liberalização das drogas duras, teria que resultados? Estará a sociedade a caminhar para uma sociedade completamente alienada, própria do final das civilizações conhecidas até aqui?

Nada nos espanta, já que do pouco tempo que dedicamos a ver televisão, esta semana, assistimos a um dos mais degradantes espectáculos jornalísticos, o novo rosto da Informação da TVI, Sandra Felgueiras, com um alinhamento de notícias de desgraças.

Após uns longos 25 minutos com notícias sobre a rainha, o director de informação Nuno Santos, exibindo um sorriso pueril afirmava …”voltaremos aqui mais tarde, para contar outras histórias de um tempo absolutamente extraordinário, e inolvidável de que estamos a ser testemunhas, testemunhas privilegiadas de um tempo da história que está a acontecer!”.

Saltando de seguida para um caso de um recém-nascido que nasceu em paragem respiratória, explorando a dor de uma mãe em pleno sofrimento, para seguidamente o espectáculo continuar com a notícia do encerramento do curso de comandos.

O foco, aqui, foi não propriamente o que aconteceu no curso de comandos que foi suspenso na semana passada, mas numa entrevista à mãe do soldado recruta falecido em 2016, vitima de um golpe de calor e de negligência nos cuidados de assistência.

Um espectáculo degradante, populista próprio de quem faz do sensacionalismo um modo de comunicar que muito poderá ter de sucesso comercial, mas que fará qualquer jornalista digno desse nome, contorcer-se de vergonha, de raiva, ou de medo do que temos em vigor.

Não! Este editorial, não é para desrespeitar o falecimento de Elizabeth II, nem para discutir se faz sentido que uma sociedade evoluída ache natural que os privilégios adquiridos por uma qualquer dádiva divina, sejam tidos como direitos.

Não é no momento do passamento da rainha que se discutem estes assuntos, pois todos os mortos merecem respeito, sejam eles rainhas de inglaterra, ou soldados recrutas.

Este editorial é apenas um requiem pelo jornalismo de cadeias noticiosas importantes que se transforma consciente e coniventemente no verdadeiro “ópio do povo”.

Nós por cá, ainda que isso possa parecer sobranceiro, faremos por cumprir com os princípios do RMJornal assumidos no estatuto editorial; respeitar os princípios deontológicos e éticos subjacentes à lei da imprensa, pugnando sempre por proteger as suas fontes, e evitando permanentemente o deturpar ou ocultando informação do seu público, nesse sentido adotará com seu princípio fundador o lema: “A Verdade da Notícia”.

“Assim Deus Me Ajude” (-So Help me God, frase com que terminam os juramentos reais)

E por isso pedimos ao leitor, que nos ajude a levar por diante este projecto assinando o RMJORNAL.

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