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O Velho Novo Aeroporto

AEROPORTO

Breve histórico sobre o futuro aeroporto de Lisboa

A polémica sobre a falta de um novo aeroporto para Lisboa já é velha. Em 1969, portanto, no século passado, avaliou-se a relocalização do Aeroporto da Portela, inaugurado em 1942. Essa avaliação, indicava Rio Frio como a localização dessa nova infraestrutura. Todavia o 25 de Abril de 1974, também a crise petrolífera que se vivia nessa época, atiraram a decisão final do novo aeroporto para mais tarde.

A ideia para o novo aeroporto regressou em 1982, quando foi levado a cabo um estudo abrangente que teve em conta 12 possíveis localizações. A escolha recaiu sobre a Ota, 40 km a norte de Lisboa, como o local mais indicado. A partir de 1990 foram realizados diversos estudos económicos e de viabilidade operativa quer para a Ota quer para Rio Frio, sem que fosse feito, diga-se, qualquer estudo de impacto ambiental.

Na vigência de um governo de António Guterres, a Ota foi, então, indicada como a melhor localização para essa desejada obra. No entanto, o tema voltou novamente à praça pública com o executivo de José Sócrates. O executivo liderado pelo então primeiro-ministro Sócrates, encomendou um estudo comparativo entre a já avaliada Ota e a zona do Campo de Tiro de Alcochete.

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Depois de vários milhões gastos em estudos, que nunca saíram do papel, uma estimativa coloca a fatura média nos 40 milhões de euros gastos com os estudos. Agora com a localização Montijo, o acréscimo da despesa deve ser considerável para o erário público.

No estudo comparativo sobre Ota e o Campo de Tiro de Alcochete, o executivo de Sócrates estava dividido entre estas duas opções. Mas, o então ministro das Obras Públicas e Transportes, era favorável à localização Ota. Eu estava presente no momento, e não me esqueço, da célebre frase proferida do então ministro das Obras Públicas e Transportes, Mário Lino: “Na Margem Sul jamais” (jamais com entoação francesa).

Para o ministro, a ideia de construir um aeroporto na Margem Sul era “faraónica”, nas suas palavras, era um sítio “onde não há gente, não há escolas, não há hospitais, não há indústria, não há comércio, não há hotéis”. Para Mário Lino, era o verdadeiro deserto.

Novamente o assunto voltou a morrer, até que, em 2014, já depois da saída da troika e com o regresso do PS ao Governo, se chegou à solução Portela + Montijo, a que, ao que parece, veio para ficar novamente encalhada. O Campo de Tiro de Alcochete é apontado novamente como alternativa. Mas, nestes, últimos dias aparece a alternativa de Santarém que já foi apresentada ao primeiro-ministro António Costa e ao líder da oposição e do PSD, Luís Montenegro. Aguardando-se, entretanto, pela apresentação formal da proposta apresentada por esse grupo privado de investidores.

Com tantos “interesses obscuros envolvidos”, terá o governo o bom senso de defender o Interesse Nacional? A resposta a esta pergunta está na cabeça de cada um de nós.

Aguardam-se por novos capítulos desta novela interminável.

Nota: Não falo em Beja porque nunca foi opção de nenhum governo.

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João Teodoro Miguel
João Teodoro Miguel, é natural de Rio Maior. Foi empresário até 2008. Teve uma breve passagem pela política como independente. É Mestre em Economia, Políticas e Culturas. Pós-graduado em Gestão e Organização Industrial. Diplomado no Programa Avançado de Economia e Gestão de Empresas de Serviços de Águas. Foi investigador na Universidade Lusófona. Atualmente é reformado.

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