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SECA: Podemos ficar sem Água nas torneiras da nossa casa?

Pode Faltar a Água nas Nossas Torneiras?

Tem sido notícia na comunicação social, o problema do abastecimento público de água, com testemunhos de pessoas que já passam pela situação de falta de água nas torneiras da sua casa. Sabemos que isto acontece em zonas mais dispersas e rurais, mas, tudo aponta para que esse problema venha a atingir áreas mais urbanas.

Como é de conhecimento geral, a água é o recurso vital à sobrevivência da humanidade. Entre as suas múltiplas e diversificadas aplicações e utilizações, temos o abastecimento público de água que nos chega às nossas habitações.

Assim, é importante, saber a quantificação e existência da Água Subterrânea e das reservas Hídricas Superficiais em Portugal. Pois, cada país, região ou continente tem as suas problemáticas. Aliás, Portugal, um país pequeno tem uma diversidade enorme nas suas reservas hídricas.

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As Alterações Climáticas que o planeta Terra vive, vai-nos obrigar, a bem ou a mal, a mudar comportamentos na utilização deste precioso recurso. Em Portugal nestas últimas duas décadas, tem-se feito um esforço financeiro muito significativo na construção de infraestruturas para o setor da água. Agora sejamos francos, esse esforço não foi acompanhado na capacitação técnica e de gestão de pessoal habilitado a trabalhar num setor tão exigente.

A grande maioria das Entidades Gestoras, na sua generalidade são Municípios. Essa falta de qualidade na gestão do setor, tem gerado ao país, perdas enormes, tanto financeiras como em perdas de água. E isso, não pode acontecer! Fica a pergunta: as Entidades que tutelam o setor e, os governos que temos tido em exercício de funções, tendo conhecimento destas situações, não atuam porquê?

A seca, uma das causas das dificuldades hídricas

O Relatório de Monitorização mensal do final de junho de 2022, refere que a situação de seca meteorológica em todo o território continental se mantém, verificando-se, em relação ao final de maio, um aumento da área em seca extrema, em particular na região Sul e nalguns locais do interior Norte e Centro do país.

A Seca – é uma condição física transitória associada a períodos mais ou menos longos de reduzida precipitação, com repercussões negativas nos ecossistemas e nas atividades socioeconómicas; trata-se de um fenómeno natural, podendo assumir consequências extremas, enquanto anomalia transitória das condições de precipitação numa dada área, durante um certo período. A ocorrência de períodos de seca, são classificados em termos de intensidade (fraca, moderada, severa e extrema).

Seca Moderada: nesta classificação e neste nível, prevê-se o desencadeamento de medidas voluntárias de mitigação de situações de seca com medidas informativas e de controlo, incluindo reduções de consumos de água.

Seca Severa: neste nível, prevê-se o desencadeamento de medidas restritivas de alguns usos da água e de reforço dos controlos.

Seca Extrema: neste nível, prevê-se a imposição de medidas restritivas de alguns usos da água. Em caso de evolução negativa poderão ser impostas medidas de caráter excecional.

Existem várias denominações para outros tipos de seca. Mas, vou apresentar apenas mais uma. A Seca Hidrológica: é, quando existem consequências nas reservas hídricas do país, localmente ou em todo o território, podendo afetar ou colocar em perigo a operacionalidade dos sistemas de abastecimento público e de regadio, justificando assim a adoção de um conjunto de procedimentos específicos destinados a minimizar os impactos em cada setor.

O Relatório de Monitorização mensal do final de junho de 2022, indica também, a distribuição percentual por indicadores de severidade, que é, de 3,7% em seca moderada, 67,9% em seca severa e 28,4% em seca extrema, o que significa que estamos perante uma continuada incidência de mais de 96% de seca e de escassez de água em praticamente todo o País, com consequências desoladoras no ambiente, na economia e, em geral, nos diferentes setores de atividade e condições de vida de largas faixas da população. 

Evidentemente não me cabe a mim na escrita deste texto, apontar a importância dos efeitos nefastos com que nos veremos defrontados no futuro, se aceitarmos que nada há a fazer e, que as secas e a escassez de água passem a ser uma coisa normal.

As Políticas Públicas da água devem de ser funcionais, responsabilizando, de forma efetiva, os decisores políticos de salvaguardar o armazenamento e regularização de caudais hídricos. A necessidade de um planeamento macro dos Recursos Hídricos, entre Portugal e Espanha, é fundamental por forma a garantir a segurança hídrica no nosso país.

Assim, é importantíssimo adotar a água como uma preocupação permanente de todos, promovendo a participação e a ação de decisores aos diferentes níveis institucionais, juntando peritos nas diversas áreas de atuação, bem como, todo o tipo de utilizadores, agregando o seu envolvimento nos processos de decisão e na Agenda Política do setor.

Quanto à questão. Podemos ficar sem Água nas torneiras da nossa casa? A minha resposta é: sim! Se as Alterações Climáticas continuarem neste caminho, se a classe política continuar a ser incapaz de fazer aquilo que é da sua responsabilidade, se nós consumidores não formos responsáveis, sim, uma área significativa urbana do nosso território pode ficar sem água nas torneiras!

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João Teodoro Miguel
João Teodoro Miguel, é natural de Rio Maior. Foi empresário até 2008. Teve uma breve passagem pela política como independente. É Mestre em Economia, Políticas e Culturas. Pós-graduado em Gestão e Organização Industrial. Diplomado no Programa Avançado de Economia e Gestão de Empresas de Serviços de Águas. Foi investigador na Universidade Lusófona. Atualmente é reformado.

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