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Ajuda Parental

(Des) Ajuda Parental e afins…

Ajuda Parental e o futuro dos filhos….

«A vida, muitas vezes, não tem consideração nenhuma por aquilo que gostamos.»

Afonso Cruz, Os livros que devoraram o meu pai

O futuro dos filhos governado pelos papás e mamãs e as bengalas linguísticas que provocam o riso em momentos altamente formais.

Magníficas e Magníficos Docentes de Português, perdoais este pobre jovem pelo o uso excessivo da maiúscula, quer na expressão que serve de título a esta mísera reflexão, quer no vocativo que criei para me dirigir a vós. Contudo, fi-lo como forma de endeusar estes vocábulos. «Ajuda» e «Parental», porque constituem duas realidades fulcrais no crescimento do ser humano. Aliás, esta ajuda é verificável quando os pais fazem questão de desenhar o futuro dos seus filhos numa folha de papel, como se fosse uma carta ao Pai Natal, desejando que lhes concretize o plano, ou seja, o curso que querem para os filhos. Confesso que a ideia é fascinante, mas há limites! Cada vez mais contacto com jovens que revelam seguir um curso porque os pais gostam. Desde sempre a espécie humana sentiu necessidade de concretizar as vontades dos indivíduos do seu meio, no entanto, são raros aqueles que se debruçam no seu mundo, procurando concretizar os seus sonhos. Aqueles que o fazem, são considerados pela sociedade mesquinha individualistas, egoístas ou seres sem coração. Todos se queixam, todos criticam! Por momentos, lembrei-me do poema «Os Ais», de Armindo Mendes de Carvalho, que refere « os ais de todos os dias, / os ais de todas as noites», na verdade, «os ais deste país…» (A propósito desta composição, sugiro a excelente leitura expressiva do poema pelo Mário Viegas).

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Ainda sobre a decisão do futuro dos jovens, é certo que um pai e uma mãe ambicionam ter um filho bem-sucedido, porém, há uma receita mágica para ser feliz na profissão que exercemos – o amor – que falta a muitos profissionais, tornando-os vazios no exercício das suas funções, por terem falta de vocação e interesse pela área. Por exemplo, quando um estudante obtém bons resultados académicos, comummente associa-se o seu futuro à medicina, às engenharias ou ao direito. Não se trata de algo inventado por mim, mas sim pela sociedade. Se olharmos para o meio em que estamos inseridos, todas as profissões se revestem de singular importância para assegurar as necessidades básicas de cada habitante. E é desta forma que justifico o uso da maiúscula no vocativo inicial, porque acredito que ser professor em Portugal é difícil e deve ser uma profissão mais apoiada, com mais respeito, sendo assim digna de ter um «P» grande, como diria o povo na gíria. A figura do professor tem perdido a imagem que tinha no passado. Recorde-se, caro leitor, que estamos com falta de professores. O ensino é crucial para o avanço das sociedades, para a instrução das individualidades, para a criação de algo que seja necessário na nossa vida, considerando que a inteligência, explorada na escola através da experiência, assume um valor máximo no domínio das forças físicas (mens agitat molem). Espero que seja um problema com resolução a curto prazo!

A palavra «afins» surge em minúscula.  Não querendo ser demasiado pormenorizado, até porque podia dar azo a uma crítica extremamente mordaz, capaz de ferir a suscetibilidade de algumas entidades, confesso que jamais pensei presenciar um acontecimento tão insólito na minha vida. Entrei num auditório, cuja palestra seria ministrada por uma senhora aparentemente simpática, cujo currículo inveja qualquer jovem da minha idade. Não mostrei grande interesse, até porque estava cheio de calor e fome. Entretanto, deixei as minhas viagens interiores e começou a fazer-se eco na minha mente – «Tá? Tá bem! Tá ok.» e assim sucessivamente! O tema era de extrema relevância, no entanto, decidi focar-me nas 135 vezes em que foi dito «Tá!», numa sessão com 50 longos minutos. Não querendo assustar o estimado leitor, prefiro não fazer referência às dezenas de vezes que a dita cuja «foi de encontro» a alguma ideia…

Assim, sabendo que «a vida é muito importante para ser levada a sério», resta sentir-me feliz pela forma como a vivência do real pode causar tanta reflexão em cada um de nós.

Se é pai ou mãe, jamais tente pintar a tela do caminho de vida do seu filho, «tá»? Deixe-o ter liberdade de escolha!

In proximum…

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António Coito
António Coito tem 17 anos e frequenta o 12.º ano de escolaridade. É fascinado pelo mundo da leitura, escrita e comunicação. Participou no Projeto #EstudoEmCasa, da RTP e DGE, em articulação com os professores do Agrupamento de Escolas Fernando Casimiro Pereira da Silva (2019/2020). É Secretário da Assembleia Geral do projeto ATUAAÇÃO, em Rio Maior, e já participou em vários projetos e concursos, levando várias vezes o seu nome a representar o concelho de Rio Maior, a nível nacional e internacional (concursos jornalísticos, literários, entre outros), tendo vencido em 2019 o 3.ºprémio de Melhor Vídeo Campanha do ano pelo Eco-Escolas/ Jovens Repórteres para o ambiente. Tem algumas formações certificadas pela DGERT, entre elas, duas formações de Introdução à Língua Gestual Portuguesa e uma de Iniciação ao Latim. É cronista residente na revista BIRD Magazine desde 2020. No seu entender, ‘’não haverá história capaz de descrever as suas viagens interiores’’.

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