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Cristina Ferreira

As cuecas da Cristina Ferreira

Contudo, não consigo deixar de pensar que a Cristina Ferreira começou a fazer agora o que os trolhas já fazem há umas boas décadas: andar à caçador.

Viva Portugal, como está a minha nação favorita? Tirando os escaldões em algumas zonas mais secas, até está a ser um bom Verão. 

Entrámos oficialmente na Silly Season e, para ser honesto, nota-se. E nota-se logo pelo título desta crónica, pelas notícias do telejornal e pelas camisas de Verão de alguma malta. 

Vamos entrar já a pés juntos, da mesma forma que a Cristina Ferreira entrou, até porque se fosse de perna aberta tinha-se visto a verdadeira Malveira. Se foi uma analogia pobre? Foi. Mas se a população entre a Malveira da Cristina e a Malveira onde nasceu a Cristina é praticamente a mesma? Também. Se bem que uma delas tem mais acessos que a outra. Não digo é qual. 

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Permita-me contextualizar o leitor mais desatento, ou, como quem diz, o leitor com uma vida minimamente interessante, que não esteja a par disto. 

Na semana passada, a Cristina Ferreira figurou num evento qualquer com um vestido todo sensualão que deixou implícito a ausência da cuequinha. Até aqui, tudo bem, tem estado imenso calor e cada um se refresca como pode. 

Para espanto de absolutamente ninguém, isto gerou polémica. Já agora, aproveito o embalo e digo-vos que a única coisa que me irrita mais que as polémicas é a própria palavra polémica. Já não suporto ouvir. Ouvir falar em polémicas é como contrair clamídia, ao início parece a coisa mais importante do mundo mas uns dias depois já nem te lembras. 

Uns dias depois da polémica rebentar, rebentam as nossas cabeças quando a Cristina anuncia uma linha de roupa interior e percebemos que fazia tudo parte de uma jogada de marketing brilhante por parte da embaixadora da Malveira. 

E aqui é preciso dar-lhe o mérito, a ela, e à equipa de marketing, porque isto é essencialmente pegar nos podres do povo português e transformá-lo em publicidade grátis! Um bocado como o vinho português faz nos mercados internacionais, pega na bebedeira, uma das nossas principais características, e comercializa-a. 

Nesta linha de roupa interior, é importante referir que uma das cuecas é “invisível”. Mas não caia no mesmo erro que eu e pense que é uma cueca feita com um tecido transparente. Não não, é literalmente uma cueca que não existe. É a ausência de cueca. É um espaço em branco na embalagem. É ar. 

Com isto ela quer transmitir a mensagem de que a mulher pode e deve vestir-se como ela quiser e bem entender, e se o que ela quiser for andar sem cuecas, então ela que ande sem cuecas. 

E escusado será dizer que tanto eu, como qualquer um dos meus companheiros homens, apoiamos a 100% este movimento. Não só apoiamos como até incentivamos a outros movimentos semelhantes. Há uns anos, o mesmo movimento surgiu com a ausência de sutiãs, agora são as cuecas, gosto do rumo que isto está a levar. 

Contudo, não consigo deixar de pensar que a Cristina começou a fazer agora o que os trolhas já fazem há umas boas décadas: andar à caçador. E o potencial disto é enorme. Se é possível glamourizar isto, então é possível glamourizar tudo.

Já imagino futuros onde cuspir no chão deixa de ser nojento e passa a ser um ato de expressão da nossa liberdade individual. Onde se acompanha uma boa garrafa de vinho com uma generosa limpeza de macacos do nariz. Em vez de se medir pilinhas, medem-se burriés. Aposto que nunca tinha visto esta palavra escrita. De nada 😉
Agora, por mais fã que eu seja deste movimento emancipatório, não deixo de ficar preocupado com vocês meninas. Gostando ou não, vão sempre ficar mais vulneráveis. Sujeitas a dar um peidinho e ele vir com uma borra de café atrás e não haver cueca para amparar a queda. Ou até mesmo na altura do décimo quarto dia do período menstrual onde os fluidos saem à rua em peregrinação. Ou até, quem sabe, se vestirem uma saia durante a altura da menstruação, e passarem por uma criança mais curiosa que puxe o fio do boneco de corda e saia de lá uma ovelhinha encarnada. 

Termino deixando um aviso que vos pode poupar muito tempo. Não tentem devolver as vossas cuecas, a maioria das lojas não aceita. Pode ser que na Vinted aceitem. Ainda não sei. Para a semana confirmo.

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Bruno Rolo
O meu nome é Bruno Rolo, sou licenciado em Marketing Turístico e a minha principal ocupação é trabalhar como responsável de Marketing e Comunicação. Gosto de comédia e tento sempre incorporá-la na minha escrita, ainda que na maioria das vezes fique pelo tentar.