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Hoje por acaso até estou bem disposto, e como prova disso, vou partilhar convosco uma ideia milionária que tive sobre supermercados.

Hoje venho carregado com um tema fortíssimo dentro da minha mochila metafórica de temas, um tema que é comum a todos, um tema que é intenso, um tema que é flagrante, um tema que o leitor já sabe qual é visto que está no título o que torna todo este mistério no mínimo ridículo. Refiro-me a supermercados. 

Eu vivo fascinado com todo o ecossistema natural de um supermercado, desde a fauna, à flora, passando pelas belíssimas paisagens naturais, criaturas míticas e lendas urbanas que formam esta plataforma logística que tantos de nós conhecemos e amamos.

Agora, devo confessar, este fascínio que sinto é semelhante ao fascínio que sentimos quando vamos na estrada e passamos por um acidente e somos compelidos a olhar. É o fascínio pelo abismo. Ou seja, eu sei que não gosto de supermercados, mas interesso-me por eles. E o meu ódio ramifica-se pelas pessoas que estão nos supermercados, pela estrutura dos supermercados, pela localização dos supermercados, pelo estacionamento dos supermercados, pelas diferenças de temperatura entre os microclimas que compõem os corredores dos supermercados, a lista estende-se. Entre estes pequenos ódios de estimação tenho um ou dois que considero particularmente interessantes e que vou analisar detalhadamente hoje. 

Tal como o melhor do brasil são os brasileiros, o melhor dos supermercados são as pessoas que lá vão. E não querendo cair na armadilha mais que batida que é fazer “os tipos de pessoas num supermercado”, gostaria de realçar alguns pokémons que frequentam estes estabelecimentos. 

O primeiro é aquele a que eu gosto de chamar “O espírito maligno de um filme de terror de qualidade duvidosa dos anos 80”, sou muita bom a arranjar nomes catchy, eu sei.

E este personagem é conhecido por anunciar a sua presença quando sentimos a sua respiração quente ainda a cheirar às lulas do almoço no nosso pescoço. Num segundo estamos sozinhos na fila, no segundo seguinte está lá ele a respirar ofegantemente encostado ao nosso inocente pescoço. Isto são pessoas que estão perpetuamente condenadas a viver com a condição típica do bêbado que não tem noção das distâncias.  

E já que estamos a falar de pessoas que não sabem medir distâncias, o que é que se passa com aquelas pessoas que não sabem acompanhar os seus produtos na passadeira da caixa? É que os produtos já vão lá à frente, quase a chegar ao empregado, e estes macacos continuam cá atrás a roubar espaço na passadeira enquanto as minhas mãos congelam a segurar 3 iogurtes líquidos de manga-ananás.

Isto obriga-me a ser indelicado e a simular um ataque de tosse totalmente falso na esperança que o indivíduo à minha frente avança uns passos. Isto é perigoso porque qualquer dia apanham-me mais chateado que o normal e eu ainda cometo uma loucura qualquer. Já cheguei inclusive a espirrar. Que é para eles verem que eu nem sempre estou para brincadeiras. 

Hoje por acaso até estou bem disposto, e como prova disso, vou partilhar convosco uma ideia milionária que tive sobre supermercados. 

Num futuro próximo, quando as caixas forem todas automatizadas e por consequência todas as pessoas com uma licenciatura não tiverem para onde ir trabalhar, eu sugiro um balcão de assistência especializada por corredor.

Permita-me explicar, em cada corredor do supermercado estaria um balcão com um colaborador especializado naquele tipo específico de produto e pronto para nos aconselhar o melhor segundo as nossas necessidades. Pode estar a parecer confuso, sim, mas isto entra bem é com um exemplo. 

Imagine, vai jantar com os pais da sua namorada a casa deles pela primeira vez e quer levar um bom vinho para impressionar. Contudo, não percebe nada de vinhos. Nada tema! Na secção dos vinhos está um especialista que lhe vai indicar o melhor vinho para a situação e consoante o seu orçamento. Um vinho que impressione mas que não pareça que se está a esforçar demasiado. Agora aplique isto a tudo.

Quer iogurtes com sabor a citrinos mas sem lactose e produzidos em fábricas que respeitam determinadas normas ambientais, é só falar com a Elsa no balcão dos iogurtes que ela aconselha-lhe o melhor.

Deixo-vos esta. 

Despeço-me aqui que tenho de ir comprar cachecóis para não voltar a sentir nenhum senhor bizarro de meia idade a respirar-me para cima do pescoço em filas.

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Bruno Rolo
O meu nome é Bruno Rolo, sou licenciado em Marketing Turístico e a minha principal ocupação é trabalhar como responsável de Marketing e Comunicação. Gosto de comédia e tento sempre incorporá-la na minha escrita, ainda que na maioria das vezes fique pelo tentar.