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Mexericos? More like mexepobres de espírito

Mexericos ou MexePobres?

Saudações querido leitor, como é que tem estado? Temo que a nossa relação se esteja a tornar muito unilateral. Sou sempre eu a falar, já cansa. Interessa-me saber como estão as pessoas que, de livre vontade, escolhem ler as barbaridades que a minha cabeça claramente disfuncional dá à luz. O que me leva a perguntar, quem será mais disfuncional, quem pensa nas barbaridades ou quem se interessa por elas? Deixo no ar. 

Esta semana, no seguimento de várias notícias sobre o possível envolvimento de uma jovem atriz namorada de um conhecido jogador de futebol da nossa praça com outro conhecido jogador de futebol da nossa praça, convido o leitor a debruçar-se comigo sobre uma das mais antigas tradições do ser humano. Uma das características mais inerentes à condição humana. O Figo da evolução do Homem, na medida em que já foi importante mas atualmente é só desnecessário. A fotossíntese da comunicação humana. A fofoca. O mexerico. A coscuvilhice. 

Começo por perguntar ao leitor, acha que é coscuvilheiro? Se a resposta for sim, parabéns, muito provavelmente, está correto. Se a resposta for não, muito provavelmente, está errado. Ou isso, ou consegue ir contra a sua própria natureza evolutiva. Digo isto porquê? Porque a fofoca desempenhou um papel fundamental para a evolução da raça humana como a conhecemos. Sem ela, muito provavelmente ainda andaríamos a apanhar cogumelos e a caçar javalis com lanças e pedras mal amanhadas. 

Permita-me então principiar numa curta mas didática aula de história. 

Há muitos, muitos anos, quando o ser humano ainda se assemelhava mais ao Quasimodo que ao Capitão Febus, ainda vivia em pequenas tribos de 50 a 100 indivíduos ligeiramente menos peludos que os macacos e ligeiramente mais peludos que nós. Para que a raça humana pudesse iniciar o seu ambicioso caminho de conquista e desenvolvimento era necessário que estas pequenas tribos, ainda em estado muito embrionário, aumentassem a sua dimensão e permitissem o convívio entre vários indivíduos peludos. 

No entanto, esta tarefa não era fácil uma vez que, na altura, os níveis de testosterona diários eram semelhantes aos de um jogo entre o Benfica e o Sporting. Isto resultava em muita briga e muito pontapé. E quanto maior eram as tribos mais desacatos aconteciam, logo, é possível criar uma correlação entre o número de habitantes de uma tribo e a quantidade de conflitos internos da mesma.
Para conseguir dar a volta a esta situação foi necessário proporcionar-se uma série de fatores e circunstâncias ideais que permitissem o convívio de muitos membros da mesma espécie sem a criação constante de conflitos. É aqui que entra a velha fofoca. A fofoca, em conjunto com uma série de outros fatores, como a crença coletiva em algo espiritual e superior ao ser humano, permitiu que se eliminassem os membros “maus” de cada tribo. Os membros que criavam discórdia, que planeavam traições, que roubavam. Foi graças à coscuvilhice que nós conseguimos excluir as maçãs podres da nossa árvore. Pensemos nela como a cola social que precisávamos para unir o ser humano.

Posta então, para trás, esta parte à National Geographic, posso confortavelmente seguir com o meu raciocínio. 

Não estará na altura de deixarmos os boatos no passado, onde eles pertencem? Já não precisamos de dar continuidade à espécie, antes pelo contrário. Bem sei que é uma coisa adjacente à nossa existência e ir contra ela é contrariarmo-nos a nós próprios. Mas também o altruísmo o é, e ainda assim, assistimos a uma corrente crescente de pessoas cada vez mais altruístas. Então, é porque é possível contrariar o que nós somos. Sugiro isso como trabalho de casa. Para mim inclusive. Sempre que o nosso interesse começar a descair para a bisbilhotice vamos fazer um esforço para o contrariar. 

Que interesse tem para nós se a atriz está com jogador X ou jogador Y, por mais engraçado que seja descobrir que até o condutor da Uber que os levou a casa já tem papel ativo na polémica. Vamos lá abdicar dos 5 segundos de atenção que comentar um tema atual nos dá – diz ele fazendo uma crónica sobre o assunto. 

Vamos pegar nesta ferramenta evolutiva do passado e mandá-la fora, só assim, podemos evoluir.

Veja outras crónicas de Bruno Rolo.

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Bruno Rolo
O meu nome é Bruno Rolo, sou licenciado em Marketing Turístico e a minha principal ocupação é trabalhar como responsável de Marketing e Comunicação. Gosto de comédia e tento sempre incorporá-la na minha escrita, ainda que na maioria das vezes fique pelo tentar.