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carro riscado

Riscar carros é um risco

O que é que leva alguém a riscar um carro?

Então Rio Maior, o que é que se anda a passar? Estamos a ser vítimas de um dos maiores flagelos conhecidos à humanidade, e ninguém traz o assunto para a praça pública? Cidadãos desta minha bela localidade, nada temam, eu estou aqui para o desmascarar.

Mas que flagelo é este de dimensões semelhantes à tua atração pela Alexandra Lencastre – pergunta-me o leitor. Antes de revelar a resposta, peço-lhe encarecidamente que procure uma superfície plana para se sentar. Pode ser duro ler o que se segue de pé. 

Ora, este açoite de mal criadagem é nada mais nada menos, que o ato de riscar carros. Palavras fortes, correto? Imagine ler isto em pé. De nada. 

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Nos últimos dias tenho-me cruzado com algumas pessoas cujo o seu veículo havia sido riscado e isso fascinou-me. Quais são os motivos necessários para levar a cabo um comportamento tão baunilha como este? Para mim, existem 3 razões que podem levar uma pessoa a riscar um carro: por vingança; por vandalismo aleatório; ou para testar a nova chave de riscar carros. 

Quero-me focar na primeira. O que é que é preciso fazer a alguém para que a vingança escolhida, de todas as possíveis e imaginárias, seja riscar um carro? Claramente não foi uma ação má o suficiente para justificar que se parta um vidro. Por outro lado, também não foi insignificante ao ponto de justificar que apenas se esvaziem os pneus. É preciso um meio termo que, pessoalmente, me intriga. Daí ter adjetivado este ato de vandalismo como baunilha umas linhas acima. Vamos então, tentar compreender qual é a motivação por detrás destes vis ataques de vingança. 

Creio que uma traição amorosa pode ser uma possibilidade. Isto, caso incida sobre uma mulher. Um homem traído, faria pior que um desenho abstrato na chapa de um veículo. Mais facilmente o faria na cara da própria vítima. Contudo, riscar um carro parece-me uma vingança adequada ao nível de agressividade, também ela baunilha, da mulher. 

Outra hipótese, pode ser, no caso do agressor ter sido vítima de um boato desagradável que acredita ter sido parido na boca do dono do automóvel. Este cenário interessa-me porque abre o leque de potenciais suspeitos e me faz acreditar que qualquer pessoa poderia fazer uma coisa destas, desde que tenha sido exposta a um nível de humilhação de tal forma grave. Tanto pode ter sido a Marlene do cabeleireiro, como o Gabriel do escritório de advogados, como o Fábio do talho. 

A terceira opção que me vem à cabeça, é, como forma de cobrança a quem está a dever dinheiro. Mas isto levanta questões. Não pode ser qualquer quantia. Tem, também ela, de ser uma quantia muito específica que justifique este comportamento e não outro. Eu arrisco atirar para o ar 200 euros como valor médio justificável para riscar um carro. De 199 euros para baixo não merece mais que um esvaziamento de pneus, e de 201 euros para cima não merece menos que 4 janelas partidas. Lanço ainda, outra estratégia de vingança. O clássico sistema de medição: 5 centímetros de risco por euro. O que perfaz uma modesta distância de 10 metros de rabiscos criminosos. Desta forma, podemos ser bandidos enquanto damos asas à imaginação. 

Julgo ter conseguido apurar quase cientificamente o que se passa dentro das cabeças de quem comete este tipo de atos. Ainda sobraria espaço para mais umas questões que aqui tenho a chagarem-me a cabecinha. Tais como: que processo de seleção está envolvido na escolha do “pincel”; qual a altura ideal do dia para cometer este delito; que outras opções existem para alguém que se queira vingar mas sem cometer nenhuma ilegalidade. Contudo, para bem de quem lê isto vou terminar por aqui. Se para a semana o meu carro aparecer riscado, podemos afirmar com confiança que, ou o delinquente lê este jornal ou eu vou muito longe para manter uma mentira.

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Bruno Rolo
O meu nome é Bruno Rolo, sou licenciado em Marketing Turístico e a minha principal ocupação é trabalhar como responsável de Marketing e Comunicação. Gosto de comédia e tento sempre incorporá-la na minha escrita, ainda que na maioria das vezes fique pelo tentar.