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Hóquei em Patins

A Magia do Hóquei em Patins

Portugal – Espanha em Hóquei em Patins

Ontem recuei 45 anos ao tempo de Ramalhete, Júlio Rendeiro, Sobrinho, Chana e António Livramento, e senti-me um puto de 15 anos a ver O HÓQUEI na Televisão a preto e Branco !

O Hóquei em patins, era durante muito tempo o Desporto Português.

Independentemente de ser uma fachada para o regime e ir mantendo o povo satisfeito, o Hóquei, tinha uma magia incomparável e rivalizava com o Futebol.

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Sem a supremacia dos três grandes, o Hóquei existia por todo o país, tinha uma fábrica de sticks e de patins, alegrava igualmente os ringues ao domingo com a aprendizagem, quase sempre em regime de voluntariado, da patinagem.

Durante as competições, Europeus e Mundiais, sem plays stations, era comum ver grupos de jovens, quase sempre rapazes, fora uma ou outra menina que não se importava com rótulos, sem patins, com pequenas bolas de ténis e troços de couve a darem azo à sua imaginação e serem por alguns momentos, Ramalhetes, Rendeiros, Sobrinhos, Chanas e Livramentos.

Um Campeonato do Mundo em que sem segredos, o último jogo era sempre um Portugal – Espanha, tal a rivalidade Ontem revivi esses momentos de 1976, por exemplo e tornei-me por momentos um menino de 15 anos, inocente.

Num jogo que não é o último deste campeonato da Europa, como antigamente, um Portugal – Espanha é sempre um Portugal -Espanha.

A menos de 2 minutos e meio do fim Portugal perdia por dois, com 9 – 7 no marcador, reduziu nessa altura, e o empate embora curto para ter esperança de discutir o título era pelo menos a salvação da honra e uma repetição simbólica de Aljubarrota.

Eis senão quando a menos de 50 segundos se empata a partida e a 15 segundos do fim se passa para frente.

A Emoção em minha casa, foi tão grande como no pavilhão de Paredes, a catarse que o Desporto nos projecta, é transcendental, como tão bem o expressa autores como Huizinga, e noutra perspectiva Desmond Morris, e ver a alegria incontida das largas dezenas de adultos, jovens e crianças que tiveram ali um momento de contacto com uma experiência limite, intransmissível e inenarrável.

Tenho a certeza absoluta, que daqui a 45 anos, com ou sem Hóquei, com ou sem Portugal – Espanha, não haverá uma única pessoa que esteve naquele pavilhão que se tenha esquecido daquela noite que me fez reviver as reviravoltas do António Livramento, a Segurança do Rendeiro, do Sobrinho e Ramalhete, (já libertos da lei da morte) e a junventude e irreverência do Chana que ainda por cá anda e se ontem viu o jogo, também chorou.

Obrigado, a estes pequenos deuses do estádio, e aos de ontem que se vão afirmando, por me permitirem emocionar e chorar de alegria, mesmo que os motivos sejam fúteis; serão?

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