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Gostar de Ler

As férias prolongadas do Incentivador à leitura!

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Está crítico, catastrófico! Estava a passar o corredor da escola e ouvi um grupo de jovens a tecer algumas considerações sobre comprar livros. “É um desperdício financeiro! “, “não duram nada”, “não é com os livros que vou aprender as coisas duras da vida”, e mais algumas barbaridades completavam o discurso desses jovens. Não me interroguei quanto à possibilidade desses factos serem verdadeiros, porque é clara a resposta. Encontro várias explicações para estas teorias.

É muito fácil considerar que a juventude do séc. XXI, de forma geral, não gosta de ler, mas deveria ser mais fácil identificar outras questões que favorecem esta problemática. Um modelo de ensino que privilegia a abordagem de obras obrigatórias, que faz exames em função dessas obras, e não entende que estas medidas só vão afastar os estudantes da leitura, contribuem substancialmente para o afastamento dos jovens com os livros. As preferências literárias, no meu entender (que sou um “bicho da terra tão pequeno”), vão se construindo ao longo do tempo. Se os jovens de agora não são motivados para a leitura de livros, que tal optar pelas ferramentas digitais, fomentando assim uma nova imagem do livro? Sim, refiro “leitura de livros”, porque a maioria dos jovens lê muito, embora não seja livros.

Tendencialmente, os adolescentes tendem a seguir os padrões que encontram em casa, isto é, se os pais ou membros do agregado familiar têm hábitos de leitura ou incutem o gosto pelos mesmos, é certo que a leitura e a valorização do livro são uma realidade diária. Mas como referi, tudo tem uma explicação, especialmente para o povo português. A agitação do dia a dia provoca escassez de tempo para dedicar à leitura de livros.

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Parecendo ou não uma observação arrogante, já Camões, na sua epopeia-lírica, defendia um povo com falta de dimensão cultural e sensibilidade para apreciar e acarinhar a arte/poesia. Nada disto é novidade! A evolução tecnológica e a criação de redes de bibliotecas públicas, que colocam muitos recursos à disposição do leitor, só vem provar que o problema não é a falta de meios. A população continua a crescer e a evoluir, mas nada é feito para acompanhar as mutações mentais que acompanham a novas gerações. A forma como se promovia a leitura há 20 anos atrás, jamais pode ser a mesma à data de hoje. Nessa época, certamente que não se falava de ler a partir de um dispositivo móvel ou em comprar livros sem serem em papel.

Assim sendo, reconheço que há ainda um longo caminho a fazer para disseminar o gosto pela leitura. Cabe às pessoas que apreciam um bom livro, que privilegiam eventos culturais e patrocinam as artes desempenharem o seu papel, com pendor pedagógico, no meio em que se inserem.

António Coito é um jovem riomaiorense e escreve às quartas-feiras no Rio Maior Jornal.

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Afonso Santos
Estudante de Sistemas de Informação que aprecia escrever sobre conteúdo técnico, tecnologia e exploração espacial. É autor e participante em projetos de programação de código aberto.
https://afonsosantos.me

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